No agronegócio, as práticas de gestão e comando de bovinos baseadas em violência ou negligência já estão muito ultrapassadas. O produtor que tem como objetivo aumentar a produtividade da fazenda sabe que são necessários investimentos em diversas áreas da cadeia de produção, mas tem consciência de que a ferramenta para o bom funcionamento do sistema é a melhoria no manejo de gado de corte.

O Brasil ocupa a primeira posição no ranking de exportação de carne bovina no mundo e essa atividade representa uma parcela significativa do PIB nacional, além de ser o setor que mais gera empregos no país. Esse degrau foi alcançado graças à soma dos desenvolvimentos tecnológicos com técnicas de conforto animal.

Mas como aumentar a rentabilidade do negócio e assegurar o bem-estar animal? Quais são as melhores práticas para aperfeiçoar o manejo do gado de corte? Para responder essas questões, listamos algumas dicas para você! Continue a leitura do nosso artigo e descubra!

O que é manejo?

O manejo é um conjunto de atividades envolvidas desde o tratamento dado aos animais até às medidas de segurança para todos os profissionais incluídos no processo. As práticas são desenvolvidas de maneira estratégica em cada etapa da produção, a partir do nascimento dos bezerros, da condução dos animais, da vacinação até o abatimento.

Ao empregar as técnicas de manejo com planejamento e conhecimento (e não somente com experiência intuitiva) a relação entre homens e animais melhora e todo o mecanismo do sistema de produção funciona com naturalidade e economia.

Confira nossas dicas para aperfeiçoar o manejo de gado de corte!

1. Invista no conforto animal

A ciência do bem-estar animal teve início na década de 1960 e tem como base cinco princípios norteadores. De acordo com esse conceito, os animais devem estar:

  • livres de medo e estresse;
  • livres de dor e desconforto;
  • livres de doenças e injúrias;
  • livres de fome e sede;
  • livres para expressarem seu comportamento natural.

Os bovinos são seres capazes de sentir emoções, sejam elas boas ou ruins. Isso significa que o tratamento apropriado ao gado é uma questão ética e humanitária. É preciso adequar a fazenda para atender à demanda dos consumidores, que são exigentes não somente com a qualidade do produto, mas também com a sua proveniência.

Quanto mais cedo as técnicas de bom trato forem implementadas, melhor. Esses animais têm uma boa aptidão para o aprendizado e, quando bem manejados desde a fase da recria, o seu desempenho na cadeia produtiva aumenta consideravelmente.

2. Defina o sistema de criação dos bovinos

Mais de 95% do rebanho brasileiro é criado, recriado e terminado unicamente em pastagens. Entretanto, os sistemas de criação de confinamento e semiconfinamento estão se expandindo, pois garantem o controle do ganho de peso com maior precisão.

O semiconfinamento tem sido o método mais difundido uma vez que necessita menor infraestrutura quando comparada ao confinamento e apresenta melhor funcionamento zootécnico em relação ao sistema exclusivo de pasto.

Assim, esse modelo permite uma maior flexibilidade ao produtor nas tomadas de decisões quanto à alimentação dos animais, garantindo a qualidade do produto ao confinar o gado na sua fase de recria e terminação.

3. Utilize insumos alimentares

A maioria das pastagens brasileiras é pobre em algum elemento mineral. Além disso, devido às condições climáticas do país, a disponibilidade de forragem diminui consideravelmente na época de seca ou frio intenso. Portanto, para garantir que o gado receba todos os nutrientes necessários para a máxima qualidade da carne, é fundamental que haja a suplementação do pasto.

A complementação é uma das alternativas mais favoráveis tanto da perspectiva biológica quanto financeira. A fase de recria é muito importante, visto que é nesse período que os animais apresentam a maior taxa de conversão alimentar, isto é, o potencial de engorda está no auge e os investimentos envolvidos nessa etapa têm alta rentabilidade.

4. Tenha o acompanhamento de um profissional de nutrição

É importante frisar que não existe uma fórmula correta para a dieta do rebanho. A matéria seca ideal depende da raça, do sexo e do peso dos animais na fase de terminação (tanto o peso inicial ao ingressar no confinamento quanto o pretendido para abate).

Dessa forma, ter o acompanhamento de um profissional da nutrição é a melhor opção para o negócio. Ele saberá balancear de forma adequada para o seu rebanho os grãos mais nutritivos, como milho, farelo e casca de soja, sorgo, farelo e caroço de algodão e polpa cítrica, por exemplo.

5. Adeque a infraestrutura da fazenda

Independentemente do método de criação que você escolha para a sua fazenda, é imprescindível que a infraestrutura seja adaptada para assegurar aos bovinos as melhores condições de bem-estar. Tanto em campo aberto quanto em confinamento, prover sombra, água fresca, estábulos limpos e higienizados e cercas que mantenham a segurança e integridade física do gado é primordial para a boa gestão do empreendimento.

Quando se fala em estrutura da fazenda é necessário ter em mente o custo-benefício dos investimentos. Apostar em qualidade é a melhor opção em longo prazo, pois além de oferecer condições propícias, a baixa manutenção dos equipamentos garante a economia.

Algumas propriedades produzem o próprio insumo para os animais, o que facilita o gerenciamento dos gastos e o manejo das pastagens. Outra aquisição que pode fazer diferença é uma misturadora de grãos. Assim, a ração é mais homogênea e o gado não tem a opção de escolher o alimento, aumentando assim, a taxa de retorno do investimento (ROI).

6. Organize a logística do transporte dos animais

Uma das questões mais delicadas quanto ao manejo de gado de corte é o transporte dos animais. O rebanho pode ficar extremamente agitado com chances de ocorrer pisoteio, além de o estresse poder afetar até mesmo o sabor da carne e prejudicar o momento do abate.

Portanto, certifique-se de fazer a locomoção do rebanho nos horários com temperatura mais amena, respeitando a lotação máxima para cada categoria de animal e as paradas regulares indicadas. Escolha, também, uma empresa com experiência na área para a realização do serviço.

7. Invista na capacitação da equipe

Por último, mas não menos importante, lembramos o quão essencial é investir na formação de uma equipe qualificada. Instruir e treinar todas as pessoas que fazem parte do agronegócio, principalmente os tratadores que terão contato direto com os animais, faz a diferença para o êxito de todas as etapas do sistema de produção.

Cabe ressaltar que de nada adianta ter o melhor boi do mundo se as práticas de manejo não são executadas de forma regular para expandir o potencial genético dos animais. O segredo para a lucratividade e o sucesso na pecuária de corte é a soma do genoma selecionado com boa alimentação e bem-estar animal.

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