A intoxicação por ingestão de plantas é a terceira maior causa de morte dos rebanhos de gado no Brasil. Com o sistema de criação extensivo, a vastidão de terra e a grande diversidade vegetal brasileira, nem sempre o produtor consegue manter os animais afastados do perigo. Entretanto, se o fazendeiro não souber identificar as plantas tóxicas para bovinos, os riscos de prejuízos ao negócio são alarmantes.

As plantas tóxicas (que causam danos se ingeridas em excesso) e as venenosas (capazes de gerar lesões graves ou morte súbita se ingeridas mesmo em pequenas quantidades) têm grande impacto para a pecuária. Isso porque reduzem a produção, elevam os custos com medidas de profilaxia e de manejo e, nos casos extremos, causam a morte dos animais.

O efeito na criação é, geralmente, de alto impacto, uma vez que acometem mais de um animal ao mesmo tempo — não poupando nem os que apresentam melhor estado nutricional — e evoluem para sintomas agudos e superagudos com rapidez.  

Mas então, quais são as plantas tóxicas mais perigosas para os bovinos? Quais são as implicações que elas têm na saúde do gado e como tratá-las? Continue a leitura do artigo e descubra!

Quais são as principais plantas tóxicas para bovinos?

Atualmente, são descritas mais de 90 espécies de plantas tóxicas para bovinos no Brasil. Essa vasta diversidade causa confusão, pois nem sempre o fazendeiro ou o veterinário sabem identificá-las. Entretanto, outro problema evidenciado é que, muitas vezes, os gestores confundem os sintomas com doenças infecciosas ou, ainda, subestimam os sinais de intoxicação manifestados pelos animais.

Quando descobertas, as disfunções causadas pelas plantas causam perdas diretas e indiretas, tais como:

  • mortes de animais;
  • redução de índices produtivos (infertilidade, abortos e malformações);
  • diminuição da produtividade nos sobreviventes;
  • alterações por doenças transitórias;
  • redução da produção de carne ou leite;
  • aumento da susceptibilidade a outras doenças devido à depressão imunológica;
  • custos para controle de plantas tóxicas nas pastagens;
  • medidas de manejo que evitem a aproximação dos bovinos com as plantas, como a utilização de cercas;
  • redução do valor da terra;
  • custos com a substituição de animais mortos;
  • gastos associados ao diagnóstico e ao tratamento dos animais contaminados.

Outra questão que causa confusão no manejo do campo é que o comportamento tóxico das plantas varia bastante. Isso porque fatores como o solo, o clima, a fase vegetativa da planta, a parte que foi ingerida e o período de ingestão influenciam diretamente a sua toxicidade.

Por isso, para combater os efeitos das plantas tóxicas, é preciso saber identificá-las, conhecer a sua biologia e os males que elas exercem no gado. Assim, é possível tomar as providências cabíveis com menor risco de erro no diagnóstico e maior chance de acerto no tratamento.

Veja a seguir algumas das plantas mais tóxicas para bovinos.

1. Palicourea marcgravii

Popularmente conhecida como cafezinho, erva de rato, café-bravo, erva-café, vick, roxa e roxinha é a planta tóxica mais perigosa para o gado no país. Contém ácido fluoracético que causa morte súbita nos bovinos em todas as regiões, exceto no Sul e no Mato Grosso do Sul. Por precisar de sombra para se desenvolver, cresce em beira de matas e capoeiras, onde o gado penetra principalmente na época de seca.

Tem boa palatabilidade, alta toxicidade e efeito cumulativo. Tanto as folhas quanto os frutos são venenosos, sendo que, quando secas, a dose letal é de 0,6g/kg. Ou seja, um boi de 300 kg precisa ingerir apenas 180 g para se intoxicar.

Os sintomas aparecem em cerca de 5 a 24 horas após a ingestão: queda em decúbito esterno-abdominal e depois lateral, tremores musculares, movimentos de pedalagem, taquicardia, dispneia, mugidos, convulsão e morte (entre 1 a 15 minutos). O quadro é superagudo e não se conhece tratamento.

2. Mascagnia rigida

Outra planta que causa intoxicação superaguda e morte súbita, principalmente no Sudeste e Nordeste, é a Mascagnia rigida, também conhecida como timbó, tingui, quebra-bucho, salsa-rosa, rama-amarela, suma-branca ou suma-roxa. O princípio ativo é o glicosídio cardíaco (ou digitálico) e a maior toxidez é observada no brotamento da planta.

Tem boa palatabilidade e é ingerida junto com a pastagem durante todo o ano. Um ponto importante a ser destacado é que a movimentação dos animais favorece a intoxicação, levando-os à morte súbita, ou seja, bovinos que se alimentam de M. rigida, mas não se movimentam, não manifestam os sintomas. Não se sabe ao certo a dose letal, mas ela varia entre 15g/kg a 94g/kg de planta ingerida.

Os sintomas clínicos são: relutância em caminhar, queda, tremores musculares, convulsões, alterações cardíacas e neuromusculares e morte em poucos minutos. Não se conhece tratamento, mas os bovinos intoxicados devem ter a movimentação restringida, para aumentar a chance de recuperação.

3. Senecio spp.

Conhecida como tasneirinha, flor-das-almas e maria-mole, essa planta causa muitos problemas na região Centro-Sul do país. Anual, comporta-se como invasora de plantações e pastos nativos. Os princípios ativos são alcaloides pirrolizidínicos, altamente tóxicos para o fígado, que apresentam dano crônico irreversível. Tem baixa palatabilidade e é ingerida acidentalmente com a silagem.

Entre os inúmeros sintomas estão: agressividade, descoordenação, diarreia, paralisia do rúmen, falta de apetite, fezes com sangue, prolapso retal e alta atividade cardíaca.

4. Tetrapterys sp.

Popularmente chamada de cipó-preto, cipó-ruão e cipó-vermelho, ela conta com ampla distribuição na região Sudeste. É uma planta perene, mas a intoxicação acontece com mais frequência na época da seca, quando há restrição alimentar. Essa situação é facilitada, pois os brotos (que tem maior palatabilidade que a planta madura) se mantêm verdes nos pastos atraindo o gado, mesmo na época da seca.

Na folha jovem os princípios tóxicos são esteroides e heterosídeos flavônicos, e na folha madura esteroides, alcaloides quaternários e taninos condensados. Os sinais clínicos são: edema de barbela, relutância em andar, jugular com pulso positivo, emagrecimento, fezes ressecadas e aborto.

5. Pteridium aquilinum

Outra planta tóxica de grande importância no país, a pteridium aquilinum, samambaia, samambaia-do-campo ou samambaia-das-taperas é uma folhagem que habita lugares de altitude com solos ácidos e arenosos, surgindo facilmente após a derrubada de matas em beira de estradas e capoeiras. O princípio ativo é a tiaminase tipo I, e é tóxica verde ou seca, com poder cumulativo.

Ingerida quando o animal recebe pouca quantidade de alimento fibroso, pode causar quadro superagudo se consumida em grandes quantidades. Por outro lado, em longo prazo, causa tumores na bexiga e hamatúria.

Dada a severa perda econômica causada pelas plantas tóxicas para bovinos, é importante destacar que as medidas de profilaxia são muito mais eficazes que quaisquer tratamentos para restabelecer as funções hepáticas e eliminar as toxinas. Nesse contexto, é crucial proceder ao manejo do gado e das pastagens, bem como observar e eliminar as plantas perigosas, evitando campos sujos. Além disso, a presença de um veterinário é fundamental logo que sejam percebidos os sintomas de intoxicação.

Agora que você já sabe mais sobre as plantas tóxicas para bovinos, aproveite para conhecer quais são os 5 melhores tipos de pastagens para o gado