Em qualquer atividade de criação, a alimentação animal desempenha um dos papéis mais importantes durante a cadeia produtiva, visto que ela representa cerca de 70% dos custos do sistema. Porém, esse alto valor tem explicação, e o investimento em nutrição de qualidade é o que garante a rentabilidade e o lucro do negócio.

O provérbio “você é o que você come” vale também para os bovinos, e na pecuária de corte isso já se tornou uma premissa. O produtor que não faz o devido investimento na alimentação do seu rebanho sofre o risco de perder tanto na produtividade quanto na qualidade do produto. Além disso, é essencial garantir a saúde e o bem-estar dos animais.

Mas como a alimentação animal influencia o resultado da produção? Quais são os cuidados que o pecuarista deve ter no preparo da dieta do gado? Essas são as perguntas respondidas neste artigo. Continue conosco e entenda! Boa leitura!

Exigências nutricionais dos animais

No Brasil, aproximadamente 95% do rebanho é criado em campo solto, sob o regime de pastagens. Porém, mesmo com um bom manejo, o pasto brasileiro apresenta deficiência em um ou outro elemento, dependendo da região. Contudo, essa questão de déficit nutricional na alimentação animal está diretamente atrelada à finalidade produtiva dos bovinos.

Isto é, existe uma diferença entre os nutrientes básicos que dão suporte à vida do animal (água, gorduras, carboidratos, proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais) e a quantidade necessária desses nutrientes que o gado precisa ingerir para alcançar uma finalidade específica. Isso é o que se chama de exigência nutricional, e ela varia de acordo com o sexo, o peso, a categoria produtiva, a taxa de crescimento desejada e, também, com o meio ambiente, ou seja, com o que é oferecido ao rebanho.

Durante a época da seca (no Centro-Oeste) e o inverno (no Sul), o pasto cresce pouco e, para manter o nível de produtividade dos animais, o produtor precisa recorrer às tecnologias associadas à nutrição bovina. Elas vão desde a execução de boas práticas de manejo de pastagens à suplementação volumosa e concentrada.

Ou seja, o fazendeiro precisa conhecer bem o solo e as condições ambientais da sua região para escolher o tipo de pastagem que melhor se adapte à propriedade, bem como ter conhecimento acerca da biologia dos animais para saber quais as exigências nutricionais de cada raça. Não esquecendo, obviamente, de estabelecer um plano com as suas metas produtivas.

Com essas informações em mãos, é possível preparar uma alimentação animal de excelente qualidade que supre as demandas do rebanho e, consequentemente, garante produtos de valor.

Como o preparo da ração influencia a qualidade do produto animal

Cada nutriente que é ingerido pelo animal desempenha uma função específica no seu organismo. A ureia (CH4N2O), por exemplo, quando chega ao rúmen do bovino, é quebrada em outros dois compostos: amônia (NH3) e dióxido de carbono (CO2). O nitrogênio liberado nessa quebra é, então, utilizado pelos microrganismos presentes na flora gastrointestinal para fazer a síntese de novas proteínas.  

Para se obter um produto com as características desejadas pelo mercado consumidor de carne (suculência, maciez e cor), é preciso garantir as condições nutritivas para o gado transformar seu alimento na finalidade estabelecida pelo fazendeiro. Por isso, é crucial que a dieta seja balanceada e formulada — especificamente — para cada rebanho, levando em conta as variáveis citadas no tópico anterior.

As rações contêm — além dos nutrientes básicos e específicos disponíveis em sua forma mais digerível — aditivos que melhoram a saúde do epitélio no trato digestivo dos animais, fazendo com que todos os nutrientes sejam adequadamente absorvidos. Ou seja, a suplementação concentrada aumenta a eficiência alimentar dos animais.

O oferecimento de rações reflete no melhor aproveitamento dos insumos, o que gera economia ao fazendeiro e, obviamente, mais lucratividade, uma vez que o rebanho converte de maneira eficaz esses insumos.

Cuidados no preparo da alimentação animal

Uma vez entendida a importância da qualidade da alimentação na pecuária de corte, é essencial que o produtor tenha atenção redobrada no preparo da dieta do rebanho. Veja, a seguir, alguns cuidados nessa etapa.

Manejo de pastagens

O manejo das pastagens busca manter um pasto de qualidade para o gado, em diferentes épocas do ano. Por isso, o fazendeiro deve escolher o tipo de pastagem que se adéqua à sua propriedade (plantas mais resistentes à seca ou ao encharcamento do solo, por exemplo), prezar pela conservação do solo, proceder à adubação e limitar o acesso do gado em locais de recuperação.

A implementação do sistema de integração lavoura-pecuária traz uma série de grandes benefícios ao produtor e garante o alto rendimento do negócio.

Manejo da forrageira (silagem)

A prática da ensilagem tem como objetivo manter a qualidade nutritiva da forrageira natural, porém na sua versão conservada por fermentação. Isso garante ao gado o aporte de alto teor de fibra que ele necessita, principalmente na época de seca e, por isso, deve ser realizada com preciosismo. Algumas das opções de silagem são de milho, de capim, de sorgo, de cana-de-açúcar e de polpa cítrica.  

Fornecimento de concentrado

Visto que a dieta baseada em volumoso é rica em fibras, porém pobre em energia (não atingindo 8% dos teores de proteína), é fundamental que seja oferecida a suplementação concentrada (que ultrapassa 20% de proteína bruta). Alguns exemplos de fontes usadas como concentrado são o sorgo, o caroço de algodão e a soja crua.

Sal mineral

O fornecimento de sal mineral para o rebanho é crucial para manter a sua produtividade alta. É essa mistura que garante que as necessidades minerais dos animais sejam atendidas.

Os macrominerais essenciais que devem estar contidos no sal mineral são: Cálcio (Ca), Cloro (Cl), Enxofre (S), Fósforo (P), Magnésio (Mg), Potássio (K) e Sódio (Na). Já os microminerais são: Cobalto (Co), Cobre (Cu), Cromo (Cr), Ferro (Fe), Flúor (F), Iodo (I), Manganês (Mn), Molibdênio (Mo), Níquel (Ni), Selênio (Se), Silício (Si), Vanádio (V) e Zinco (Zn).

É importante ressaltar que a quantidade de ureia adicionada ao sal mineral deve ser bem calculada, pois o consumo elevado causa intoxicação aos bovinos. Além disso, cabe lembrar que na produção de carne orgânica a adição de ureia na dieta do rebanho não é permitida.  

O investimento em técnicas focadas no desenvolvimento do tripé genética/alimentação/saúde levou o Brasil à primeira colocação no ranking mundial de exportação de carne bovina e nos mantém como segundo maiores produtores. A alimentação animal representa um papel fundamental no sistema de produção, visto que o fornecimento de uma dieta de qualidade eleva consideravelmente a performance do gado de corte.  

Gostou da leitura? Nosso artigo foi informativo e esclarecedor para você? Então, aproveite para ver essas 3 dicas práticas sobre manejo de gado para implementar na sua fazenda!