A projeção de que a população mundial atinja a marca dos 10 bilhões em 2050 traz urgência aos produtores rurais para que invistam em sistemas de produção que sejam viáveis do ponto de vista socioeconômico, além de sustentáveis, para não comprometerem o uso dos recursos naturais pelas gerações futuras. Uma das estratégias que têm trazido excelentes resultados para todos os envolvidos é a integração lavoura-pecuária.

O uso dessa técnica é apontado como a alternativa capaz de conciliar os interesses de diversos setores da sociedade. A crescente demanda alimentar exige que os sistemas sejam cada vez mais produtivos. Por outro lado, eles também precisam ser mais responsáveis ambientalmente ou correm o risco de colapsar.

Nesse cenário, quais são os benefícios da integração lavoura-pecuária para o produtor? Como ela pode ser implantada e fazer com que o sistema funcione harmoniosamente? Essas são as dúvidas que esclareceremos neste artigo! Continue a leitura e descubra!

O que é o sistema de integração lavoura-pecuária?

O sistema de integração lavoura-pecuária — também conhecido como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) — é o modo de produção que une a criação e o manejo de animais, o cultivo de plantas agrícolas e o plantio de espécies florestais. Todas essas diferentes práticas ocorrem em uma mesma área e podem funcionar em sucessão, rotação ou consórcio.

Essa maneira de lidar com as atividades agropecuárias tem como objetivo fazer com que todos os sistemas de produção ocupem e aproveitem ao máximo todos os recursos disponíveis, mas prezando pela melhoria da qualidade do solo. Isso significa que ele deve ser desfrutado dentro dos limites do ecossistema e que deve haver um trabalho para a sua recuperação.

Uma vez que o solo é a base para a produção animal e vegetal, o seu uso racional e planejado otimiza os ciclos biológicos e aumenta a produtividade da área e das forrageiras, de tal forma que há menos desperdício dos insumos. Um solo bem nutrido e preservado aumenta o rendimento de pastagens e grãos que, por sua vez, elevam a eficiência e a saúde dos animais.

Um bom exemplo prático é o consórcio do milho com a braquiária, que aumenta a produção de grãos e o volume de massa vegetal. Além de as raízes profundas da braquiária ajudarem a descompactar e nutrir o solo, essa integração possibilita diminuir os custos com mão de obra, maquinários e insumos, visto que se aduba uma cultura e se colhem duas. Isso eleva a taxa de lotação nos pastos na época seca e a produção de silagem.

Quais são os benefícios desse sistema?

São muitos os benefícios que o produtor tem quando resolve pôr em prática a integração lavoura-pecuária. Dentre eles, podemos destacar as seguintes vantagens tecnológicas, ambientais e ecológicas:

  • melhora nas características do solo, devido à presença da matéria orgânica;
  • redução da ocorrência de doenças, pragas e plantas daninhas;
  • recuperação de áreas que foram degradadas;
  • renovação da cobertura vegetal;
  • aumento do bem-estar animal, devido ao maior conforto térmico;
  • melhora no processo de fixação do carbono atmosférico (diminuindo o efeito estufa);
  • reciclagem de nutrientes no solo;
  • melhora na qualidade e preservação de recursos hídricos;
  • diminuição dos riscos de erosão;
  • redução no uso de agroquímicos;
  • aumento da biodiversidade e das interações entre diferentes espécies de plantas e polinizadores (favorecendo as culturas).

Mas os benefícios não param por aí. Veja, a seguir, as vantagens sociais e econômicas da integração lavoura-pecuária:

  • adequação da fazenda à legislação ambiental;
  • melhora na imagem pública dos produtores rurais perante a sociedade (devido à sua conscientização ambiental);
  • possibilidade de realizar atividades ligadas ao agroturismo, devido ao paisagismo;
  • maior produção de biocombustíveis e biomassa;
  • geração de emprego e renda;
  • estímulo à capacitação profissional;
  • aumento da segurança alimentar;
  • redução dos riscos de prejuízos, devido à diversidade de atividades comerciais;
  • melhora da qualidade de vida do produtor, dos funcionários e de suas famílias;
  • aumento da renda do empreendimento rural.

É importante ressaltar que não existe limitação de área para promover a integração lavoura-pecuária. Qualquer produtor, em qualquer propriedade, pode realizar essas atividades. Bastam apenas planejamento e adequação dos métodos de cultivo (com mecanização ou não, por exemplo) dadas as devidas proporções e condições de cada fazenda.

Como a integração lavoura-pecuária pode ser feita?

O manejo integrado na fazenda deve ser feito com uma meta clara de obtenção de altos rendimentos, tanto nas atividades de criação animal quanto no cultivo dos grãos e vegetais. Visto que sistemas que abrangem interação entre solo, planta e animais são mais complexos que as cadeias produtivas que envolvem solo e vegetais apenas, é preciso ter conhecimento para planejar e implementar as novas ações na propriedade.

Sendo assim, para fazer a integração lavoura-pecuária é preciso a prática de cinco fundamentos. Confira quais são eles.

1. Correção da acidez e da fertilidade do solo

Muitas regiões do país têm elevada acidez e são deficientes em alguns nutrientes. Deve-se fazer uma análise química do solo e então, proceder à correção para o bom rendimento das culturas.

2. Uso do sistema de plantio direto

Um solo estruturado e coberto de palha ou plantas vivas suporta melhor a ação mecânica do pisoteio e resiste mais às cargas sobre a superfície. Assim, se reduz a compactação do solo.

3. Rotação de culturas

Em qualquer cadeia de produção vegetal, a rotação de culturas (ou o consórcio, ou a sucessão) é fundamental para que o sistema de integração lavoura-pecuária seja sustentável. Essas práticas melhoram a qualidade do solo, diminuem a ocorrência de pragas, ervas daninhas e doenças. Além disso, oferecem maior diversidade de exploração econômica para o produtor rural.

4. Uso de animais e vegetais com genética superior

Plantas e animais melhorados geneticamente apresentam uma produtividade maior, com características qualitativas desejadas. Assim, os vegetais são mais resistentes e os animais têm maior eficiência alimentar.

5. Manejo de pastagens

O manejo adequado das pastagens é uma prática de importância indiscutível para o sucesso na integração lavoura-pecuária. É necessário fazer a correta adubação (principalmente com nitrogênio, fósforo e potássio), que eleva significativamente a produtividade das forrageiras. Além disso, a adubação melhora a performance das culturas de sucessão, que aproveitarão esses elementos residuais.

O manejo da altura das plantas também é essencial, pois disso depende o alto rendimento da forragem. Dessa forma, é preciso encontrar um equilíbrio para as plantas terem altura suficiente para suportar o pisoteio, mas que não sejam tão altas, visto que há diminuição dos teores de proteína e aumento das fibras (o que reduz o consumo e a digestibilidade da pastagem).

O aumento da população mundial e a necessidade de preservar os recursos naturais para as próximas gerações exigem uma posição responsável dos pecuaristas no que diz respeito aos seus sistemas de produção. Dessa maneira, a integração lavoura-pecuária é a alternativa estratégica mais eficaz, pois a sinergia entre os elementos produtivos promovem a sustentabilidade e garantem os interesses econômicos do produtor.

Nosso conteúdo foi informativo e esclarecedor para você? Então, que tal descobrir, agora, cinco diferentes usos de um drone na agricultura e pecuária?  Este material foi produzido em parceria com a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.