Em uma fazenda de pecuária, o produtor precisa estar sempre atento às atividades que garantem o maior retorno dos investimentos da produção de bovinos. Juntamente com as técnicas que promovem o bem-estar animal e uma alimentação de qualidade, manter o status sanitário da fazenda é uma prática de manejo extremamente importante para evitar prejuízos e assegurar a alta produtividade dos animais.

Muitas doenças que acometem os bovinos afetam consideravelmente a produção do negócio e, em casos graves, podem levar à morte de lotes inteiros, causando grandes perdas para o pecuarista. As clostridioses, por exemplo, são um conjunto de enfermidades que provocam a morte de 400 mil animais por ano no Brasil e um rombo de 1,1 bilhão de reais.

Nesse contexto, quais são as doenças que mais afetam a produção de bovinos no país? Quais são as formas de contágio, os sintomas e o que é possível fazer para preveni-las? São essas as questões que responderemos neste artigo. Boa leitura!

Mastite

A mastite é um problema muito comum no gado leiteiro e é caracterizada por uma inflamação nas glândulas mamárias das vacas. Não existe uma causa única, mas múltiplos fatores de origem. As bactérias são os microrganismos mais comuns dessa moléstia, mas, por serem diversas, a prevenção por meio de vacinas é muito complicada.

Por isso, o manejo sanitário é essencial para prevenir a disseminação da mastite, uma vez que os microrganismos estão comumente presentes no solo, nos utensílios, nos dejetos, na água ou em outros locais que têm contato com o ubre. A inflamação causa dilatação nos vasos sanguíneos e as alterações metabólicas modificam a qualidade do leite, que pode prejudicar a saúde humana caso consumido.

É fundamental ter o acompanhamento de um médico-veterinário na fazenda, pois o especialista poderá identificar o tipo de mastite e se ela é tratável ou não. Além disso, ele tem capacidade de julgar se o animal doente pode ou não permanecer junto ao rebanho.

Brucelose

A brucelose bovina (também conhecida como “aborto contagioso”) é uma enfermidade infectocontagiosa transmitida pela bactéria Brucella abortus. Tem grande importância econômica e, também, de saúde pública, pois se trata de uma zoonose (ou seja, pode ser transferida do animal para o homem).

A brucelose tem alta patogenicidade, isto é, grande capacidade de o agente invasor provocar manifestações clínicas no seu hospedeiro. A doença causa enormes prejuízos na produção de bovinos, visto que ela afeta os tecidos reprodutores dos animais. Além de provocar aborto e mal-formações, ela danifica o sistema reprodutor tanto das fêmeas como dos machos, levando-os à infertilidade.

A bactéria é capaz de permanecer estável por meses no ambiente e no leite e derivados que não tenham sido pasteurizados ou fervidos. A contaminação se dá por contato direto com animais e objetos infectados, por meio de secreções fetais, vaginais e seminais, fezes, urina e leite que entram pelas mucosas ou por lesões de pele.

O produtor precisa estar atento à enfermidade, mas a boa notícia é que ela é facilmente prevenida através da vacinação dos animais.

Febre Aftosa

A febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa, transmitida por um vírus  do gênero Aphthovirus, família Picornaviridae, o primeiro vírus animal descrito pela ciência. Os sintomas principais são a febre alta, salivação intensa (devido às aftas na boca), cansaço, depressão, falta de apetite e andar coxo (provocado pelas vesículas dolorosas que surgem na fenda das patas dos bovinos).

A doença é transmitida pela saliva ou pelo sangue dos animais infectados, além de poder ser disseminada por meio da água, do ar e por pessoas que tiveram contato com o gado infectado. O vírus é bastante resistente e permanece ativo no pasto, pois se mantém presente no couro e na medula óssea dos bovinos após a sua morte.

A vacinação também é o método de prevenção dessa doença e, no Brasil, deve ser aplicada a cada seis meses (a partir dos três meses de idade). Durante o tratamento de animais contaminados, é importante desinfetar os seus machucados e, também, o local onde o animal esteve, para não infectar os bovinos sadios.

Tuberculose

A tuberculose é transmitida pela bactéria Mycobacterium bovis e a produção de bovinos pode ser seriamente prejudicada quando os animais estão afetados, pois seus sintomas são pouco perceptíveis aos pecuaristas e surgem no estágio final da doença. A perda de peso, tosse seca, dificuldade respiratória e fraqueza geral são os sinais clínicos da enfermidade.

A propagação de tuberculose ocorre pelo ar, por gotículas em suspensão ou pela inalação de poeira contaminada. Os bezerros são infectados ao ingerir o leite com a bactéria. Não existe vacina contra a tuberculose e o controle sanitário e acompanhamento constante são a melhor forma de prevenção.

Essa doença precisa de atenção por se tratar de uma zoonose e ser uma das fontes de manutenção da tuberculose na população humana. Por isso, a presença regular de um veterinário na propriedade é fundamental para efetivar o controle, eliminando os bovinos infectados.

Clostridioses

Clostridiose é o termo que se dá ao conjunto de doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium encontradas no solo e, também, no trato digestivo dos bovinos, mesmo sadios. Normalmente, esses microrganismos permanecem nesses locais de forma inofensiva, mas se manifestam toxicamente quando encontram condições favoráveis para isso.

Na maior parte dos casos, eles passam a produzir substâncias tóxicas após procedimentos de vacinação inadequados, lesões, pancadas, partos, castrações e quando ocorre a troca de alimentação dos animais sem a adaptação necessária. São inúmeras as manifestações recorrentes e o sintoma mais comum é a paralisia dos músculos de locomoção, de mastigação e deglutição. O animal morre por paralisia respiratória.

A contaminação vai de acordo com a variedade, sendo o botulismo uma forma muito comum, cuja infecção ocorre por meio de alimentos e água de baixa qualidade contaminada. O veterinário precisa ter conhecimento sobre o tipo de clostridiose para, então, prevenir e tratar o rebanho.

De forma geral, a manutenção do status sanitário e a vacinação são os métodos preventivos para as clostridioses e o tratamento se dá com antibióticos e antitoxinas (no caso de tétano ou botulismo).

Raiva

Também é importante ressaltar a Raiva como grande causadora de mortes de gado no Brasil. Muitas vezes o produtor dá atenção às doenças incomuns e deixa de lado as enfermidades mais importantes. Transmitida por um vírus do gênero Lyssavirus, o morcego hematófago é o principal hospedeiro, que infecta os bovinos por meio de sua mordida.

O animal infectado fica hipersensível aos fatores externos e ocorre uma súbita mudança de hábitos comportamentais: perda da consciência, mugido rouco, intensa salivação e presença de espuma, midríase (dilatação das pupilas), fezes secas e escuras, andar cambaleante e paralisia dos membros.

Não há tratamento para a doença, os animais morrem de quatro a oito dias após o surgimento dos sintomas. A prevenção é simples, barata e eficiente e se dá por meio da vacinação, controle da população de morcegos e acompanhamento veterinário.

Como você pode perceber, fazer o controle sanitário na propriedade é a melhor maneira de manter a produção de bovinos alta e com qualidade. Quando o produtor cuida da saúde de seu rebanho e toma as devidas precauções com rapidez, os prejuízos são consideravelmente reduzidos e a rentabilidade do negócio é garantida. 

Gostou do nosso post? Este conteúdo foi produzido em parceria com Fernando Rosado Spilki, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Universidade Feevale