A cada ano que passa, os produtores procuram alternativas para que a produção de leite seja mais competitiva e econômica. O melhor caminho continua a ser o manejo de leite feito da forma correta. Para isso, é preciso que velhos conceitos sejam reformulados e alguns cuidados sejam tomados. Dentre as boas práticas de manuseio do gado de leite, podemos citar o cuidado com a nutrição e a garantia do conforto e do bem-estar das vacas leiteiras. 

Ambas são primordiais para a maximização da produtividade do rebanho leiteiro. Descaso quanto ao bem-estar do animal e falhas no manejo nutritivo podem trazer grandes prejuízos ao pecuarista, além de levantar dúvidas quanto à prática ética do produtor, assunto cada vez mais debatido. O sucesso da pecuária leiteira está, sem dúvidas, ligado de forma direta a esses dois pontos.

Pensando nisso, abordaremos neste post a importância do manejo de leite e como realizá-lo da forma mais adequada. Acompanhe!

1. A importância do correto manejo de leite

Independentemente do tipo de ordenha realizado e do tamanho do rebanho, o manejo correto é essencial para realizar o controle de mastite e a produção de leite com as devidas condições de higiene. Os resultados de um correto manejo de leite são o baixo risco de lesão nos tetos das vacas, a melhor qualidade do leite e a diminuição de novas infecções mamárias.

A  situação econômica atual do mercado requer que os pecuaristas executem todas as ações durante a produção com muita eficiência, a fim de manter a rentabilidade e continuar na atividade. Além disso, quando as vacas leiteiras são submetidas a dietas adequadamente balanceadas, elas produzem mais e melhor. 

O alvo crucial é não deixar de manter a preocupação em se fornecer alimentos de qualidade e em quantidade suficiente para todo o rebanho durante todo o ano. 

2. Dicas para melhorar o manejo de leite

Os princípios para um correto manejo do leite são: realizar a ordenha com tetos secos e limpos; desinfetá-los antes da ordenha; estimular a saída do leite; retirar de maneira rápida e eficiente o leite; e desinfetar os tetos logo após a ordenha.

É muito importante realizar o controle e o registro da incidência de mastite clínica e subclínica. Para isso, deve-se retirar os três primeiros jatos de leite em uma caneca com um fundo mais escuro e observar possíveis alterações no líquido, como o fato de estar aquoso ou amarelado, ou se há presença de pus — este teste serve para diagnosticar a mastite clínica das matrizes que estão em lactação. O procedimento deve ser realizado em todas as ordenhas.

Além disso, as teteiras devem ser colocadas apenas se os tetos estiverem secos e higienizados. Caso haja necessidade, deve-se utilizar água com menor pressão e fazer a secagem com toalhas de papel descartáveis. Depois do fluxo de elite, o pecuarista deve controlar a ordenha e tirar o conjunto — as teteiras devem ser retiradas com muito cuidado e realizando o desligamento do fluxo de vácuo deste combo.

É preciso ressaltar que não se deve utilizar pré e pós-dipping — que é aplicado imediatamente após a ordenha para eliminar as bactérias contagiosas antes que elas invadam os tetos —, escolhendo produtos de qualidade e eficácia reconhecidas. 

Não se esqueça de dar atenção especial à higiene dos equipamentos e dos funcionários responsáveis pela ordenha. Além disso, o leite deve ser conservado a 4ºC logo após a ordenha, a fim de que não azede.

3. Forneça o alimento de que cada animal precisa

O produtor deve se preocupar em fornecer aos animais todos os nutrientes, incluindo carboidratos, vitaminas, proteínas, macro e microminerais. Primeiramente, as vacas leiteiras utilizam a energia dos alimentos para se manter e produzir seu leite; o restante da energia obtida é dirigido para a reprodução. 

Cada animal tem uma necessidade alimentar, de acordo com sua genética, pré-disposição, idade e peso. O balanceamento dos nutrientes, como carboidratos fornecedores de energia, proteína e fibra, faz com que seja possível explorar ao máximo o que pode oferecer cada animal sem causar doenças

O manejo nutritivo das vacas leiteiras não deve ser padronizado. As vacas mais velhas têm uma dieta diferente das mais jovens. Além disso, enquanto se alimentam, os grupos precisam ser separados, a fim de que não ocorra disputa pelo alimento.

Além disso, devem ser fornecidas quantidades maiores de nutrientes para as novilhas de primeira cria, por exemplo — aproximadamente 20% a mais do que para as vacas de segunda cria. Como as novilhas estão em fase de crescimento, precisam de mais substâncias nutricionais em sua dieta.

A dieta das vacas gestantes deve também conter os nutrientes adequados a esse estágio. O excesso de peso nelas pode ocasionar alguns problemas, como falta de apetite, fígado gorduroso, queda de imunidade e diminuição da produção de leite.

4. Não estresse as vacas

Tudo deve ser feito pensando no bem-estar dos animais, a fim de evitar que fiquem estressadas. Isto porque a ansiedade influencia de forma direta na qualidade e na quantidade do leite e, ainda requer maior atenção em relação ao trato com o leite retirado das vacas. São normais situações de estresse em vacas leiteiras e isto ocasiona grandes efeitos negativos sobre a sua produtividade, bem como em sua saúde e seu conforto. 

Deve-se levar em conta, com relação à origem do estresse, que o mais importante é o modo como se lida diretamente com o animal, ainda que esta não seja necessariamente  a causa primária da agitação. Um bom exemplo disto é que a mudança de uma vaca para um local diferente pode ser suficiente para ocasionar reações no gado.

5. Entenda que a água é um dos ingredientes mais importantes para as vacas leiteiras

A maior produção de leite no período das águas acontece, supostamente, devido ao maior subsídio de nutrientes a esses animais. Um ponto interessante é que menos de 30% dos pecuaristas suplementam as vacas com concentrados na época das águas. Em contrapartida, mais de 70% dos que produzem diariamente acima de 250 litros por dia utilizam grãos e subprodutos agroindustriais nesses períodos. 

De 1 litro de leite, 87% do volume é composto por água e, para cada litro produzido, o animal consome em média 4 litros de água, chegando até a dobrar no verão. É obrigação dos produtores oferecer água em abundância para as vacas leiteiras e o animal deve ter fácil acesso 24 horas por dia. Logo, forneça sempre a elas água limpa e à vontade. 

Por fim, se essas técnicas para um melhor manejo de leite forem aplicadas da forma correta, os benefícios na atividade leiteira serão evidentes. Haverá maior equilíbrio na condição corporal das vacas, melhor eficiência reprodutiva, otimização da produtividade e, como consequência, minimização do custo de produção, além da melhora na qualidade do produto propriamente dito. 

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